O traumatismo craniano leve (TCL), frequentemente conhecido como concussão, ocorre quando uma força externa — como uma pancada, queda ou uma desaceleração brusca — faz com que o cérebro se mova rapidamente dentro da caixa craniana. Embora a classificação “leve” sugira algo trivial, trata-se de uma lesão cerebral funcional que altera temporariamente a química cerebral e a comunicação entre os neurônios. Diferente de traumas graves, o TCL geralmente não apresenta danos estruturais visíveis em exames de imagem padrão, como tomografias, o que torna a observação clínica dos sintomas o principal método de diagnóstico.
Após o impacto, é comum que a pessoa sinta dores de cabeça, tontura, sensibilidade à luz ou uma leve confusão mental, mas é crucial estar atento aos sinais de alerta que exigem atendimento médico imediato. Sintomas como perda de consciência (mesmo que breve), vômitos repetidos, pupilas de tamanhos desiguais (anisocoria), dificuldade na fala ou coordenação motora, convulsões e uma dor de cabeça que piora progressivamente indicam uma possível complicação, como um hematoma intracraniano. A vigilância nas primeiras 24 horas é essencial para garantir que o quadro não está evoluindo para algo mais grave.
O tratamento para o traumatismo craniano leve não envolve cirurgias na grande maioria dos casos, baseando-se principalmente no repouso físico e cognitivo. O cérebro precisa de energia para se recuperar, por isso, nos primeiros dias, recomenda-se limitar o uso de telas (celulares e computadores), evitar leituras extensas e suspender atividades físicas intensas. Medicamentos analgésicos podem ser prescritos para controlar a dor, mas a automedicação deve ser evitada — especialmente com anti-inflamatórios que alteram a coagulação — até que um médico avalie o risco de sangramentos.
A recuperação costuma ser gradual, com a maioria dos pacientes retomando suas funções normais completamente dentro de 7 a 10 dias. O retorno às atividades escolares, laborais ou esportivas deve ser feito de maneira escalonada (“protocolo de retorno gradual”) e sempre sob orientação profissional. Respeitar esse tempo de cura é vital para evitar a chamada síndrome do segundo impacto, que ocorre quando o cérebro sofre um novo trauma antes de estar totalmente recuperado do primeiro, podendo causar danos severos e permanentes