Rins Falhando: Entenda a Insuficiência Renal – Sinais que Podem Salvar Vidas
A insuficiência renal (ou rins falhando) ocorre quando os rins perdem a capacidade de filtrar o sangue adequadamente, eliminando toxinas, excesso de líquidos e sais minerais, além de regular hormônios importantes. Ela pode ser aguda (súbita, reversível em muitos casos) ou crônica (progressiva e geralmente irreversível). A insuficiência renal aguda (IRA) surge em horas ou dias, frequentemente por desidratação grave, infecções, uso de medicamentos nefrotóxicos (como anti-inflamatórios, antibióticos ou contraste iodado), obstrução urinária ou choque. Já a insuficiência renal crônica (IRC) evolui ao longo de anos, sendo causada principalmente por diabetes mellitus (a principal causa no Brasil), hipertensão arterial não controlada, glomerulonefrites, doenças policísticas renais, lúpus ou uso prolongado de analgésicos. No Brasil, estima-se que cerca de 10 milhões de pessoas tenham algum grau de doença renal crônica, e milhares entram em diálise anualmente — muitos sem diagnóstico precoce.
Os primeiros sinais de rins falhando são sutis e frequentemente ignorados, o que permite a progressão silenciosa da doença. Os sintomas iniciais incluem fadiga extrema, fraqueza, inchaço (principalmente nas pernas, tornozelos e rosto, pior pela manhã), urina espumosa (indicando perda de proteínas), urina escura ou com sangue, redução do volume urinário (ou aumento noturno para urinar), pressão alta de difícil controle, coceira na pele, perda de apetite, náuseas, vômitos, sabor metálico na boca e câimbras musculares. Em estágios avançados, surgem falta de ar (por acúmulo de líquido nos pulmões), confusão mental, convulsões ou coma devido ao acúmulo de ureia e toxinas (uremia). Muitos pacientes descobrem a falência renal só quando já precisam de diálise ou transplante — por isso o exame de creatinina e taxa de filtração glomerular (TFG) em check-ups anuais é fundamental, especialmente para diabéticos, hipertensos e maiores de 50 anos.
O diagnóstico precoce é feito por exames simples: creatinina e ureia elevadas no sangue, taxa de filtração glomerular (TFG) reduzida (abaixo de 60 mL/min indica IRC estágio 3 ou mais), proteinúria (albumina na urina), hemograma (anemia comum), eletrólitos (potássio alto perigoso) e ultrassom renal para avaliar tamanho, estrutura e obstruções. Em casos agudos, a investigação inclui causas reversíveis (ex.: infecção, desidratação). O tratamento depende do estágio: na IRC inicial, controle rigoroso de pressão e glicemia, dieta baixa em sal/proteínas/fósforo, medicamentos (inibidores da ECA, bloqueadores de receptor de angiotensina, inibidores SGLT2 como dapagliflozina), correção de anemia e evitar nefrotóxicos. Em fases avançadas (TFG <15 mL/min), inicia-se diálise (hemodiálise ou peritoneal) ou transplante renal, que oferece melhor qualidade de vida e sobrevida.
A prevenção é a melhor estratégia: controle da pressão arterial (<130/80 mmHg), glicemia em diabéticos (HbA1c <7%), dieta equilibrada (reduzir sal, processados, carnes vermelhas em excesso), hidratação adequada, evitar automedicação com anti-inflamatórios e analgésicos crônicos, e check-ups regulares com dosagem de creatinina e exame de urina. Parar de fumar e manter peso saudável também protegem os rins. Se você tem diabetes, hipertensão ou histórico familiar de doença renal, converse com seu médico sobre monitoramento anual — detectar cedo pode atrasar ou evitar a necessidade de diálise por muitos anos. Rins falhando não doem no começo, mas os sinais estão aí: preste atenção ao seu corpo e não subestime cansaço persistente ou inchaço inexplicável.