Retatrutida: remédio em teste faz paciente perder 25% do PESO CORPORAL. Dr. Julio Pereira – Neurocirurgião São Paulo – Neurocirurgião Beneficência Portuguesa

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Retatrutida, focado nas evidências científicas mais recentes (Fase 2 e início da Fase 3).

Mecanismo Inovador: O “Triplo G” A Retatrutida representa a próxima fronteira no tratamento farmacológico da obesidade e diabetes, sendo classificada como o primeiro agonista triplo hormonal (ou “Triplo G”). Diferente da Semaglutida (agonista de GLP-1) e da Tirzepatida (agonista dual de GLP-1 e GIP), a Retatrutida atua simultaneamente nos receptores de GLP-1, GIP e Glucagon. A grande inovação reside na adição do agonismo do receptor de glucagon: enquanto o GLP-1 e o GIP atuam primariamente na saciedade e na secreção de insulina, o componente do glucagon tem o papel de aumentar o gasto energético basal (termogênese) e acelerar a oxidação de lipídios, oferecendo uma via metabólica adicional para a perda de peso.

Eficácia sem Precedentes: Resultados da Fase 2 As evidências mais robustas até o momento provêm do ensaio clínico de Fase 2 publicado no prestigiado The New England Journal of Medicine (2023). O estudo demonstrou uma eficácia superior a qualquer outro fármaco aprovado até então: pacientes com obesidade tratados com a dose máxima (12 mg) alcançaram uma perda de peso média de 24,2% em apenas 48 semanas. Esse resultado supera os dados históricos da Tirzepatida e da Semaglutida no mesmo período de tempo, aproximando os resultados farmacológicos dos desfechos obtidos com a cirurgia bariátrica, o que gerou grande impacto na comunidade médica.

Impacto na Gordura Hepática (Esteatose) Além do controle glicêmico e da perda de peso, a Retatrutida demonstrou um potencial terapêutico notável para a Doença Hepática Gordurosa Metabólica (MASLD). Subestudos evidenciaram que o fármaco promove uma limpeza profunda da gordura visceral e hepática. Dados indicam que cerca de 80% a 90% dos participantes com esteatose hepática que receberam as doses mais altas atingiram a normalização da gordura no fígado (conteúdo < 5%) ao final do tratamento. Isso sugere que a Retatrutida pode se tornar uma terapia de primeira linha não apenas para obesidade, mas para prevenir a progressão para esteato-hepatite (NASH) e cirrose.

Status Atual e Perfil de Segurança O perfil de segurança observado nas evidências atuais é semelhante ao de outros medicamentos da classe das incretinas, com efeitos adversos predominantemente gastrointestinais (náuseas, vômitos e diarreia), que tendem a diminuir com o tempo. No entanto, devido à ação no glucagon, houve observação de aumento da frequência cardíaca em alguns pacientes, o que está sendo monitorado de perto. Atualmente, a droga está no programa de ensaios clínicos de Fase 3 (TRIUMPH), que avaliará a segurança e eficácia em populações maiores e por períodos mais longos, com previsão de conclusão e potencial submissão para aprovação regulatória (FDA/Anvisa) a partir de 2026.