Polilaminina: Tatiana Sampaio defende dados da pesquisa e cogita estudo sem grupo controle… Entrevista com Júlio Pereira Neurocirurgião no O POVO.

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Polilaminina: Expectativa vs. Realidade Científica

A polilaminina, desenvolvida pela neurocientista Tatiana Sampaio na UFRJ, continua gerando debate acalorado sobre seu potencial em lesões medulares. Pesquisadores divulgam resultados preliminares de recuperação motora em pacientes agudos, mas a ciência exige mais do que relatos iniciais. Fase 1 da Anvisa (2026) limita-se à segurança, sem prova de eficácia. Sem validação fase II/III, promessas de “cura” são prematuras.

Tatiana Sampaio Defende Dados Iniciais

Tatiana Sampaio tem defendido vigorosamente os dados do piloto com oito pacientes (pré-print 2024), destacando recuperação parcial em sobreviventes como evidência clínica real. Argumenta que lesões agudas (<72h) respondem diferente das crônicas testadas historicamente, justificando abordagem terapêutica inovadora. Reconhece limitações éticas de randomização em traumas graves, mas insiste na relevância biológica observada.

Estudo Sem Grupo Controle: Polêmica Ética

Cogitar estudos sem controle é cientificamente indefensável. Em pesquisa clínica, ausência de randomização introduz viés impossível de corrigir – recuperação espontânea ocorre em ~15% das lesões completas agudas, fisioterapia intensiva gera ganhos motores, evolução natural confunde causalidade. SBPC/ABC/ABN condenam veementemente: “pré-prints + relatos anedóticos ≠ evidência”. Dois óbitos no piloto reforçam necessidade de rigor metodológico.

Neurocirurgiões Exigem Transparência Absoluta

Julio Pereira, neurocirurgião: defesa de dados sem controle compromete credibilidade. Pacientes merecem ensaios randomizados duplo-cegos, não experimentos judiciais. Tatiana Sampaio deve publicar em revistas indexadas com revisão por pares, detalhando metodologia, critérios inclusão/exclusão e follow-up longo. Ciência brasileira não pode repetir erros históricos de euforia sem validação. Ética acima de tudo.