Para o Cérebro, o Amor Funciona Como uma Droga: Neurocirurgião Explica o que Acontece Quando Nos Apaixonamos. JULIO PEREIRA NEUROCIRURGIÃO

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Para o cérebro, o amor realmente funciona como uma droga. Quando nos apaixonamos, ocorre uma verdadeira cascata neuroquímica: há uma explosão de dopamina, o neurotransmissor do prazer e da recompensa, semelhante ao que acontece com o uso de substâncias viciantes. Ao mesmo tempo, aumentam os níveis de norepinefrina, que gera aquela sensação de euforia, coração acelerado e dificuldade para dormir, e de serotonina, que pode cair, explicando a obsessão e o pensamento constante na pessoa amada. É por isso que o apaixonamento pode ser tão intenso e até comparado a um estado alterado de consciência.

Essa reação química explica muitos comportamentos típicos do início de um relacionamento: falta de apetite, energia elevada, idealização do parceiro e até certa perda de julgamento crítico. Regiões do cérebro como o núcleo accumbens (centro de recompensa), o córtex pré-frontal (responsável pela tomada de decisão) e o sistema límbico (emocional) são fortemente ativadas. Estudos de imagem cerebral mostram que, quando olhamos para a foto da pessoa amada, as áreas de prazer se acendem de forma muito semelhante ao que ocorre em pessoas dependentes químicas.

Com o tempo, a paixão intensa dá lugar ao amor mais estável, mediado principalmente pela ocitocina (hormônio do apego e confiança) e pela vasopressina. Essa transição é fundamental para a formação de vínculos duradouros. Entender esses mecanismos ajuda a explicar tanto a beleza quanto as dificuldades dos relacionamentos: o cérebro se adapta, mas também pode sofrer com a abstinência quando o amor termina, gerando sintomas semelhantes aos de uma desintoxicação.