O tamanho da sua barriga pode estar envelhecendo seu coração e seu cérebro. JULIO PEREIRA NEUROCIRURGIÃO

Compartilhe ►

O tamanho da barriga, especialmente quando há excesso de gordura visceral (aquela que se acumula ao redor dos órgãos internos), é um indicador de risco mais importante do que o peso total ou o IMC isoladamente. A gordura visceral é metabolicamente ativa: ela libera substâncias inflamatórias que aumentam a resistência à insulina, elevam a pressão arterial, pioram o perfil de colesterol e triglicerídeos e favorecem a aterosclerose. Por isso, mesmo pessoas que não são classificadas como obesas pela balança podem ter risco cardiovascular elevado se a circunferência abdominal estiver aumentada.

Para a saúde do coração, o acúmulo de gordura abdominal está associado a maior chance de hipertensão, infarto, insuficiência cardíaca e AVC. Estudos mostram que cada aumento de cerca de 10 cm na circunferência da cintura eleva o risco de eventos cardiovasculares. Em homens, valores acima de 94 cm (ou 102 cm em alguns critérios) e, em mulheres, acima de 80 cm (ou 88 cm) já indicam risco aumentado. Essa gordura também pode provocar remodelamento do músculo cardíaco, com espessamento das paredes e redução da eficiência de bombeamento.

O impacto vai além do coração e chega ao cérebro. Pesquisas com ressonância magnética demonstram que maior quantidade de gordura visceral está associada a redução do volume cerebral, atrofia do hipocampo (região importante para a memória) e maior risco de declínio cognitivo e demência. A ligação parece ocorrer principalmente por meio da inflamação crônica e da piora do controle da glicose, que afetam a circulação e a integridade do tecido cerebral. Reduzir a gordura visceral de forma sustentada pode ajudar a preservar o volume cerebral e a função cognitiva ao longo dos anos.

Medir a circunferência da cintura na altura do umbigo é uma forma simples e prática de avaliar esse risco. A redução da barriga depende principalmente de alimentação equilibrada, atividade física regular (incluindo exercícios aeróbicos e de força), controle do sono e manejo do estresse. Pequenas reduções já trazem benefícios metabólicos e cardiovasculares. O acompanhamento médico é importante para avaliar outros fatores de risco e orientar as melhores estratégias de prevenção.