Gripe K já soma 15 milhões de casos e 7 mil mortes nos EUA. Dr. Julio Pereira – Neurocirurgião São Paulo – Neurocirurgião Hospital Sírio-Libanês

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A chamada “Gripe K” refere-se a uma variante específica do vírus Influenza A, subtipo H3N2, pertencente ao subclado genético K. Embora não seja um vírus inteiramente novo, essa cepa tem atraído atenção médica e midiática por apresentar mutações que facilitam sua transmissão e potencializam o escape da resposta imunológica gerada por vacinas anteriores. O termo “supergripe” tem sido utilizado popularmente para descrever o quadro clínico, que tende a ser mais intenso e de início abrupto, com febre alta persistente, dores articulares severas e, em alguns casos, sintomas gastrointestinais mais acentuados do que nas gripes sazonais comuns.

Nos Estados Unidos, o impacto desta variante na temporada de inverno de 2025-2026 tem sido significativo, registrando os níveis de atividade viral mais altos dos últimos 15 anos. Segundo dados recentes do Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), o país já contabilizou cerca de 15 milhões de casos, com aproximadamente 180.000 hospitalizações desde o final de dezembro de 2025. O sistema de saúde norte-americano tem enfrentado uma pressão considerável, com taxas de ocupação de leitos pediátricos e de UTI operando perto da capacidade máxima em diversos estados.

Os números de mortalidade também são alarmantes e ilustram a severidade desta temporada. Relatórios de janeiro de 2026 indicam que já ocorreram mais de 7.400 mortes relacionadas à gripe nos EUA. Em um fato inédito desde o início da pandemia, houve semanas epidemiológicas neste inverno em que a mortalidade por gripe superou a de COVID-19, especialmente entre idosos e crianças, que são os grupos mais vulneráveis às complicações respiratórias e à desidratação provocadas por esta cepa.

Especialistas alertam que a alta circulação da Gripe K no Hemisfério Norte serve como um indicador importante para o Hemisfério Sul, incluindo o Brasil, à medida que o outono se aproxima. A principal preocupação reside na eficácia da vacina atual contra essa mutação específica; no entanto, as autoridades de saúde reforçam que a imunização continua sendo a ferramenta mais importante para prevenir casos graves e óbitos, juntamente com medidas não farmacológicas como o uso de máscaras em locais aglomerados e a higiene frequente das mãos.