A “Gripe K” é o termo popular dado a uma variante específica do vírus Influenza A (H3N2), tecnicamente classificada como subclado K (ou J.2.4.1). Ela não é uma doença nova, mas sim uma mutação natural (“drift” antigênico) de um vírus da gripe sazonal já conhecido. Essa variante ganhou destaque global entre o final de 2024 e o início de 2025 por apresentar uma capacidade de transmissão acelerada, tornando-se rapidamente a cepa dominante em diversas regiões do Hemisfério Norte durante a temporada de inverno.
Na Europa, o impacto desta variante foi sentido com a antecipação da temporada de gripe, que começou semanas antes do previsto. Em países como o Reino Unido, a “Gripe K” foi responsável pela vasta maioria dos casos confirmados, pressionando significativamente os serviços de emergência e hospitais. Autoridades de saúde europeias, como o ECDC, emitiram alertas devido ao rápido aumento nas taxas de infecção, que superaram os padrões de anos anteriores em algumas nações, gerando preocupação com a saturação do sistema de saúde.
Nos Estados Unidos, o cenário tem seguido uma tendência de crescimento similar, com o subclado K sendo detectado em uma proporção crescente de amostras laboratoriais. O CDC (Centros de Controle e Prevenção de Doenças) tem monitorado a disseminação do vírus, observando que, embora a temporada americana varie regionalmente, a presença desta cepa específica contribuiu para elevar os níveis de atividade gripal em vários estados. A vigilância foi intensificada para entender se o pico de casos nos EUA espelharia a intensidade observada no continente europeu.
Apesar do alarme causado pelo número de casos, especialistas ressaltam que a “Gripe K” não parece causar sintomas intrinsecamente mais graves do que outras gripes sazonais. No entanto, o subtipo H3N2 é historicamente conhecido por ser mais agressivo com idosos e grupos de risco. As vacinas atuais, mesmo quando não possuem uma correspondência exata com a nova mutação, continuam sendo a principal ferramenta de defesa, oferecendo proteção vital contra as formas severas da doença, hospitalizações e óbitos.